sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Pablo Neruda

"Somente tu e eu, somente tu e eu, amor meu..."

Talvez tu não saibas, araucana,
que quando, ante de te amar, me esqueci de teus beijos
meu coração ficou recordando tua boca

e fui como um ferido pelas ruas
até compreender que havia encontrado,
amor, meu território de beijos e vulcões.










Tenho fome de tua boca, de tua voz, teus cabelos
e pelas ruas vou sem me nutrir, calado,
não me sustenta o pão, a aurora me desconcerta,
procuro o líquido som de teus pés pelo dia.

Faminto estou de teu sorriso resvalado,
de tuas mãos cor de furioso celeiro,
tenho fome da pálida pedra de tuas unhas,
quero comer tua pele como intacta amêndoa.

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